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Sunday, May 02, 2010
O Homem Errado que Estava Certo

Durante a guerra fria, muitos americanos foram comunistas. Isso queria dizer, entre outras coisas, que eles colocavam os interesses da antiga União Soviética acima de seu próprio país, os Estados Unidos. E durante a guerra fria o maior "interesse" da União Soviética era destruir os Estados Unidos.

Muitos comunistas americanos fizeram carreira no serviço público americano, ou seja, ocuparam importantes cargos dentro da estrutura do Estado americano. E, colocando os interesses da União Soviética acima dos interesses de seu próprio país, usaram o prestígio de seus importantes cargos para ajudarem a União Soviética.

Como a União Soviética tinha como principal interesse destruir os Estados Unidos, esses comunistas americanos no serviço público de seu país passaram a usar sua posição importante dentro do Estado americano para ajudarem um poderoso inimigo externo a destruir seu próprio país.

Muitos patriotas americanos perceberam isso, e passaram a lutar para tirar os comunistas do serviço público americano, onde eles faziam muito mal aos Estados Unidos. A "ideológia" do senador McCarthy, o que passou para a história como "macarthismo", era, essencialmente, isso: impedir que inimigos do Estado americano ocupem alguma posição dentro do Estado americano, muito menos as posições importantes que passaram a ocupar desde o chamado New Deal de Rossevelt, porque os comunistas usavam essas posições importantes para conspirar contra o Estado americano e a favor de uma tirania estrangeira.

Por isso, devemos colocar aspas quando se fala da "ideologia" do senador McCarthy. Afinal, mais do que um capricho ideológico, identificar e afastar os comunistas do quadro de servidores do Estado americano era uma necessidade natural e uma proposta urgente, na opinião de qualquer homem medianamente informado, com boas intenções e um temperamento equilibrado. Permitir que comunistas fizessem carreira como servidores do Estado americano era permitir que agentes de um país inimigo ocupassem posições em que seriam úteis a este país inimigo contra o próprio país, ou seja, algo com que nenhum homem sensato e razoável poderia concordar. E, se havia "ideologia" nas ações do senador McCarthy, era esta: impedir que comunistas fizessem carreira como servidores do Estado americano.

Podemos afirmar, com certeza absoluta, que teria sido muito melhor para os Estados Unidos e para o resto do mundo (é muito raro que algo bom para os americanos seja ruim para o resto do mundo), se o senador McCarthy tivesse sido um líder competente e sua "ideologia" tivesse se imposto nos Estados Unidos, e o trabalho de afastar os comunistas e simpatizantes do quadro de servidores do Estado americano tivesse sido completo. Entre outras coisas, Fidel Castro não teria se feito ditador cubano, pois a simpatia de funcionários americanos foi decisiva para sua vitória.

Podemos afirmar também, com certeza absoluta, que o "macarthismo" nunca esteve perto nem nunca teve a intenção de criar um Estado não democrático nos Estados Unidos. Na verdade, o Brasil, que na época vivia um período mais ou menos democrático, com a constituição de 1946, era, oficialmente, muito mais restritivo às liberdades dos comunistas que os EUA. No Brasil, o partido comunista era proibido por lei e havia pessoas a defender a anulação das eleições quando surgia a suspeita de terem sido os votos comunistas decisivos para a vitória deste ou daquele candidato, o que nunca aconteceu na América.

Portanto, analisando o contexto de sua época e avaliando friamente suas propostas, não havia problemas "ideológicos" com o senador McCarthy. Nem mesmo poderíamos classificar sua pregação anti-comunista como sendo "de direita". Em si, não seria ruim se fosse, mas não era. O que ele propunha era defender o Estado americano da infiltração de agentes de uma potência estrangeira, e isso poderia ser defendido por pessoas de todas as ideologias, exceto da ideologia dessa potência estrangeira, o comunismo. Assim, seria até mesmo muito razoável a um esquerdista honesto apoiar o senador McCarthy. Realmente, a conclusão a que chegamos depois de uma analise fria e ponderada é que não havia, "ideologicamente", nenhum problema com o "macarthismo".

O problema com o senador McCarthy é que, embora contando com boas informações e tentando resolver um real e muito grande problema de sua nação, o problema da infiltração comunista no Estado americano, ele não era, de modo algum, um homem com um bom preparo e um temperamento equilibrado. Ele era vaidoso, desajeitado, alcoólatra e provinciano (é verdade que ser um provinciano nem sempre é um defeito, mas é quando a pessoa não vê necessidade de se preparar para enfrentar adversários sofisticados), um "palhaço sinistro", na definição nada lisonjeira de Paulo Francis, que já não era um esquerdista radical quando assim taxou o senador (em 1985). Mais interessado em sua promoção pessoal do que em usar o poder que acumulou para realmente expurgar os funcionários comunistas do Estado americano, McCarthy acabou se revelando um homem inadequado para uma tarefa demasiado importante, e acabou, afinal, desmoralizado, para depois morrer de alcoolismo.

Os defeitos pessoais de McCarthy, no entanto, não mudam os fatos, dois em especial: que sua causa, proteger as instituições públicas americanas da infiltração comunista, era justa e necessária, no contexto da guerra fria, e, ainda, que sua causa era, ideologicamente, bastante razoável, nada tendo de extremista. O macarthismo, na verdade, era tão de direita quanto reconhecer a necessidade de uma policia competente para proteger o cidadão, por exemplo, e poderia muito bem ser apoiado por políticos honestos de centro e de esquerda, uma verdade reconhecida pelo o povo americano em seu tempo: a maioria dos americanos comuns, embora apoiando as reformas do New Deal e tendo Roosevelt como grande herói, sentia grande admiração, também, pelo senador McCarthy, e ninguém achava as duas posições irreconciliáveis, mesmo que não concordassem.

Este pequeno artigo foi escrito depois de uma pesquisa no Google com o tema "macarthismo". Como pode ver quem se der ao trabalho de fazer essa pesquisa, os brasileiros não sabem o que o macarthismo realmente foi. O macarthismo não foi o equivalente ao stalinismo, não foi um movimento antidemocrático ou autoritário, não foi nem mesmo um movimento exclusivo da direita americana. O macarthismo foi, simplesmente, uma tentativa de eliminar a influência que agentes de uma potência inimiga tinham sobre instituições públicas, com ênfase especial em instituições mais ligadas à segurança nacional, ou seja, foi algo que qualquer patriota americano sincero e consciente das necessidades dos Estados Unidos apoiaria.

Posted at 02:57 pm by garciarothbard
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Tuesday, October 13, 2009
É a liberdade, estúpido! - Artigo de Robert Tracinski

Bem, é oficial. O fenômeno Obama acabou. Definitivamente.

Não se trata apenas de sua melhor arma, a oratória, não mais mobilizar a opinião pública (o discurso de quarta-feira, 16 de setembro, sobre o sistema de saúde, produziu um pequeno aumento da aprovação aos custos da reforma no sistema de saúde, mas isso desapareceu em menos de uma semana).

O que realmente encerra a era de Obama é isso: o simbolismo como primeiro presidente negro, o que supostamente dava aos americanos uma oportunidade de superar toda a feia história de sua política racial. No entanto, aqui estamos nós, com menos de oito meses de governo Obama, e a política racial nunca esteve tão ruim em muitos anos.

Poucos dias depois da grande manifestação do movimento Tea Party em Washington, os aliados de Obama na imprensa começaram a chamar os manifestantes de racistas. Isso foi dito por Jimmy Carter, e por Joe Klein, de Time, por Paul Waldman, de The American Prospect's, e por Paul Krugman e Maureen Dowd no New York Times, entre outros.

E onde estão as provas deles? Bem, eles não têm provas – só têm imaginações muito férteis. Krugman acha que a força propulsora por trás do movimento Tea Party é "provavelmente... uma apreensão cultural e racial", enquanto que, segundo Dowd, quando Joe Wilson disse que Obama mentia, "o que eu percebi é que havia no ar uma palavra não expressa: você mente, garoto!... (1) algumas pessoas simplesmente não podem acreditar que um negro é presidente e nunca aceitarão isso." Esses são os atuais padrões jornalísticos de Time: está certo atacar metade da população baseando-se no que você imagina que eles estão "provavelmente" pensando e em palavras que eles não disseram.

No mesmo padrão, Klein considera que se opor a Obama é racismo "implícito", enquanto o "psicólogo social" Thomas Pettigrew explicita o que significa a acusação de "racismo implícito": "A idéia geral é que pessoas que não admitem [racismo] em si mesmas procuram formas legítimas de seguir suas crenças sutis, algumas vezes até mesmo sem perceberem o que estão fazendo". Eis como um psicólogo social projeta em você seus próprios preconceitos sobre seu caráter e seus motivos – sem precisar conversar com você e ouvir o que você pensa.

E eles não perguntaram nem perguntam o que nós pensamos, nenhum deles. É obvio em todas as acusações de racismo que esses grandes repórteres não têm ido aos protestos do movimento Tea Party, não têm conversado com ninguém lá, não se preocuparam em saber quem somos nem no que acreditamos. Eles simplesmente projetaram em nós a mais feia motivação que tem na cabeça, sem necessidade de qualquer evidência para comprová-la. É uma das mais gratuitas campanhas de difamação que eu já vi.

Para uma dose de realidade, confira esta galeria de fotos tiradas por um de meus leitores na parada de sábado. A característica definidora dos comícios do movimento Tea Party, em especial do último sábado (2), é a grande quantidade de cartazes – a dominante forma de expressão do movimento. Você não tem que imaginar as palavras que aquelas pessoa não disseram ou projetar o que provavelmente estaria em suas mentes. Elas te dizem o que elas estão pensando, em cartazes feitos em casa, com grande variedade e criatividade. Alguns favoritos: "Eu pareço uma ATM para você?" (3); o sempre popular slogan "dê-me liberdade, não dividas" (4); "o congresso é um título [de dívida] podre" (5); "mercado livre, não esbanjamento" (6). E, principalmente quanto à questão racial: "Não interessa se o presidente é negro. Interessa se ele é vermelho." (7) O cartaz mais bizarro: uma autentica nota de um milhão de marcos da hiperinflação alemã dos anos 20, entre as palavras "nunca mais".

(se você for até mais ou menos a metade da galeria de fotos, você verá uma foto minha. Eu sou o homem com uma camisa azul carregando um grande cartaz com uma citação de Ayn Rand expressando este lema "racista": "Sua vida pertence a você e o certo é você vivê-la" (8). Certamente, palavras em código para Ku Klux Klan).

O tema comum dos cartazes foram direitos individuais em oposição ao coletivismo, uma defesa de governo limitado, obediente às restrições estabelecidas para ele na constituição. Um dos cartazes mostrado na galeria de fotos sintetiza a mensagem da parada do movimento Tea Party: "É a liberdade, estúpido!" (9)

O fato de o movimento Tea Party ter uma mensagem filosófica tão clara, e que as falsas acusações de racismo dificilmente conseguem vilificá-la, diz muito sobre a autoconfiança intelectual do movimento Tea Party – em contraste com a falta de autoconfiança filosófica da esquerda. Os membros do movimento Tea Party são muito felizes em ter um debate filosófico sobre as mais básicas questões políticas. A esquerda, em contraste, quer mudar o assunto com ofensas pessoais e ataques ad hominem – o que mostra que eles não acreditam poder vencer o debate se for sobre a questão do tamanho ou do papel do governo.

Dizer que a esquerda está recorrendo a "política racial" é um pouco vago demais. Deixem-me definir exatamente o que eles estão fazendo: eles estão recorrendo à política de racial difamação, velha de décadas, acusando, por reflexo condicionado, qualquer oponente de racismo numa tentativa de encerrar a discussão.

Racismo é um dos piores insultos que você pode usar contra alguém hoje, somente uns poucos degraus acima de acusá-lo de ser um pedófilo. Que seja assim é, na verdade, um tributo às heróicas mudanças na cultura americana nas últimas décadas. Em menos de 50 anos, a América evoluiu de um país onde a segregação era abertamente defendida e aplicada a um país onde uma acusação de até mesmo racismo indireto pode arruinar uma carreira. É só perguntar a Don Imus (10). Mas isto tem sido usado como uma arma – um cassetete de intimidação nas mãos da esquerda.

A campanha daltônica (11) de Barack Obama, a idéia de que ele estava concorrendo como se raça não importasse, prometeu-nos uma salutar ruptura desta história. Houve indicações desde o começo, no entanto, que ele realmente não pretendia que tivesse este significado. Obama teve que fazer vários malabarismos a respeito de sua intima e duradoura ligação o pastor Jeremiah Wright, um agitador racial (12), e ele se manteve a uma distância olímpica e confortável, enquanto seus cabos-eleitorais usavam acusações de racismo como uma arma contra a campanha de Hilary Clinton.

Se ele pode agir assim na primária democrata, não há razão para pensar que ele se oporá àqueles que estão fazendo isso novamente agora. Obama alega não querer se envolver com a atual campanha de difamação racial – mas lideres não têm essa opção. Permanecendo em silêncio, ele está dando sua concordância. Ele está se abstendo quanto à volta da difamação racial na política americana. Isto é um enorme desapontamento para muitos que uma vez votaram em Obama – e para muitos outros, como eu mesmo, que uma vez viram um elemento de nobreza em sua campanha, mesmo se nós discordássemos de tudo o ele representava.

Se Obama não rejeitar imediatamente e decididamente a nova difamação racial contra o movimento Tea Party, ele destruirá a última porção de seu apelo junto ao eleitorado – e terá feito milhões de novos e passionais inimigos entre o público votante.


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(1) Nota do tradutor – no original, está "You lie, boy!", e "boy" era um termo pejorativo usado pelos brancos contra os negros no tempo da segregação racial.
(2) Nota do tradutor - dia doze de setembro.
(3) "Do I Look Like an ATM to You?" Nota do tradutor - ATM é sigla de "automated teller machine", ou seja, caixa eletrônico.
(4) "Give Me Liberty, Not Debt."
(5) "Congress Is a Toxic Asset."
(6) "Free Markets Not Free Loaders."
(7) "It Doesn't Matter the President Is Black. It Matters That He's Red."
(8) "Your life belongs to you and the good is to live it."
(9) "It's the Liberty, Stupid." Nota do tradutor – é uma paródia de "it's the economy, stupid", uma frase usada pela campanha de Bill Clinton, em 1992, contra o então presidente George H.W. Bush. Como Bill Clinton venceu, a frase se incorporou ao jargão político americano.
(10) Nota do tradutor - John Donald "Don" Imus, Jr. é um celebre radialista americano, que se envolveu em várias polemicas por seus comentários politicamente incorretos.
(11) Nota do tradutor – a expressão em inglês usada pelo autor, "color-blind", é sinônimo de daltonismo, mas é também uma expressão americana que descreve serviços prestados sem considerações pelas características raciais dos envolvidos, e não há tradução em português.
(12) Nota do tradutor – a expressão em inglês usada pelo autor, "race-bating", é um adjetivo usado para atos ou pessoas que usam uma retórica racial para intimidar outras pessoas, e não há tradução em português.

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Este artigo foi publicado no seguinte link: http://www.realclearpolitics.com/articles/2009/09/20/its_the_liberty_stupid_98387.html

Posted at 11:10 pm by garciarothbard
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