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Monday, March 12, 2007
Direitos Humanos

Bush nos visitou, e membros do governo americano citaram um relatório sobre os abusos dos direitos humanos no Brasil. Para revidar, jornalistas comentaram sobre os abusos contra os terroristas presos pelos americanos, no Iraque, em Guantamano, e em outros lugares. Não li ninguém que notasse o óbvio, que os americanos estão em guerra. O Brasil está em guerra contra perigosos terroristas estrangeiros? E se estivesse, se comportaria melhor? E há o fato que os abusos americanos são contra estrangeiros, e os brasileiros são contra seus próprios cidadãos. Sem intenção de desculpar nenhum envolvido nessa história, é claro que eu tenho que admitir que o Brasil está pior que os americanos, somando tudo e tudo ponderando.

 

E ainda, é mais fácil um carcereiro torturador do presídio da Papuda ficar impune que um carcereiro torturador de Abu Graib. Também tem isso.

 

Há uma objeção aparentemente lícita ao que acabo de escrever: "Se os americanos criticam nossas mazelas, e têm esse direito embora isso seja uma descortesia, nós também podemos criticar as deles, e sempre será bom lembrar ao estrangeiro que resolva seus próprios problemas antes de se meter a criticar os problemas dos outros, o que afinal é uma postura que não depende dos problemas dele serem melhores ou mais fáceis de serem resolvidos que os nossos". Isso é verdade. Mas não é toda a verdade. Omite-se que os americanos reconhecem seus problemas e estão discutindo como resolve-los, e querem de nós a mesma atitude. Já os brasileiros, respondendo aos americanos lembrando de seus erros na guerra contra o terror, não querem mais do que ocultar sua vergonha, e estão pouco interessados em resolver qualquer situação.

 

O que é mais razoável: esperar que daqui a alguns anos os abusos americanos contra terroristas estrangeiros terminem, ou esperar que daqui a alguns anos os abusos brasileiros contra seus próprios cidadãos diminuam? Quando penso na resposta, que vergonha, leitor, que vergonha!

 

Há uma coisa que eu acho interessante: um representante da ONU vem ao Brasil e diz o mesmo que o governo americano sobre nossos direitos humanos. Ninguém protesta. Os mesmos políticos que acham um absurdo criticas do governo americano acham normais criticas da ONU. Os mesmos que acham errado levar lições de direitos humanos de quem trata mal terroristas acham certo levar lições de direitos humanos de estrupadores de crianças.

 

Eu só queria entender...

 

************

 

Eu também gostaria de saber o que os Sem-Terra tem contra o Bush. Que eu saiba, o Bush nada faz para impedir a reforma agraria no Brasil. Mas se tantos brasileiros odeiam os americanos de graça, porque não o MST?

Posted at 01:27 pm by garciarothbard


Sunday, November 12, 2006
Eleições e Comparações

Muita gente na direita está triste com os resultados das eleições americanas. Não acho que há razão para isso. Não muita.

Os republicanos, com Bush, têm um projeto de levar a democracia ao Oriente Médio (Eu acho que acreditar nisso é mais razoável que acreditar que essa guerra é só por causa do petróleo). Os democratas, sem nenhuma alternativa a Bush em política externa, tem vários projetos socialistas em política interna. O plano de Bush me parece mais necessário que os projetos dos democratas. Mas o partido de Bush perdeu o controle do legislativo nos EUA.

Isso pode significar que Bush passará dois anos como um impotente na casa branca. Pode significar, o que é mais provável, que os dois partidos terão que trabalhar juntos. Se por causa da oposição no congresso Bush não puder governar e acontecer mais uma tragédia como o atentado de 2001, o partido democrata será cobrado pelo público, e os democratas sabem disso. Se a oposição obrigar o governo americano a abandonar o povo do Iraque aos terroristas, e disso resultar uma crise no petróleo ou uma ditadura ferozmente antiamericana, o partido democrata será cobrado pelo público, e os democratas sabem disso. Bush, por seu lado, parece ser um homem disposto a fazer concessões a oposição em troca de apoio na questão do Iraque. Bush conviveu bem com uma maioria hostil, quando era governador do Texas. E Reagan, que nunca teve maioria na câmara americana, fez um ótimo governo. Então, o que provavelmente teremos nos próximos dois anos, será a mesma política, só que com mais cuidados. Isso, além do mais, para mim era uma tendência do governo Bush, que viria mesmo sem a derrota de agora.

Eu também acho melhor assim.

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O mais triste, e deveria ser triste para todo mundo que se interessa pelo assunto, é a comparação entre o caso americano e o caso brasileiro, no tocante ao equilíbrio e a harmonia entre os poderes executivo e legislativo.

Nos Estados Unidos, se sabe já que Bush será minoria no congresso, mas também se sabe que se Bush conseguir convencer o povo americano que um projeto é bom este será aprovado. O debate junto à opinião pública continua tão ou mais importante que manobras nos bastidores.

A mim, não é possível imaginar um esquema como o do "mensalão" para garantir maioria ao governo federal na América. Também me é quase impossível imaginar que um congresso brasileiro vote contra suas convicções (ou, mais provavelmente, falta delas) por pressão popular. Aqui no Brasil, todos sabiam que qualquer que fosse o vencedor das ultimas eleições, Lula ou Alckmin, este teria maioria na câmara. Como todo mundo sabe que muitos deputados serão subornados por Lula, e seriam por Alckmin. Como todo mundo sabe que a opinião pública seria ignorada, por qualquer um dos dois (alias, foi para isso que construíram Brasília).

Quem se interessou ou se alegrou com a vitória dos democratas e a derrota de Bush, deveria mais estar triste pelo Brasil.

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Há em Bush uma coisa que sempre me entristeceu: o seu gosto pela pena de morte, para agradar o eleitorado. Quando o Bush era governador do Texas, o estado era um dos campeões de execuções nos Estados Unidos. Isso não dependia só dele, claro: o judiciário texano era muito favorável à pena de morte, como era a opinião pública do Texas.

Eu já tinha comentado isso um pouco, aqui mesmo, se não me engano. Agora, a pena de morte voltou, e voltou com fins eleitorais: Saddam foi condenado à morte, para favorecer os republicanos. A maioria dos iraquianos também acharia muito boa a morte de Saddam. A maioria dos americanos também, pelo jeito.

Democraticamente, se matou gente no Texas. Democraticamente, se matará gente no Iraque. Quando a maioria quer matar, num regime democrático, alguém sempre morre. E não se enganem: se dependesse do povo, o Brasil também teria a pena de morte. É possível pensar em um argumento melhor contra a democracia que a pena de morte. Mas é difícil.

Posted at 05:17 pm by garciarothbard


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