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Sunday, November 11, 2012
O que dizer da reeleição de Obama?

Primeiro, Obama foi mal.

Ah, diz alguém, como, se foi reeleito? É que para não ser reeleito um presidente americano precisa ser muito mal (um brasileiro pode ser um muito mal presidente e ainda assim será reeleito, um americano não). Se for mal, só, será reeleito.

Na história americana, Jimmy Carter foi muito mal, e perdeu. Assim como George Bush, o pai, foi muito mal e perdeu. Mais presidentes foram reeleitos, nos últimos 100 anos, com mais votos (ou pelo menos uma porcentagem maior de eleitores a favor) do que com menos, em relação aos votos que tiveram na primeira eleição. Casos de Roosevelt em 1936 (mas não em 1940), Eisenhower em 1956, Nixon em 1972, Reagan em 1984, etc. Obama, reeleito com menos votos do que teve em 2008, foi mal.

Segundo, em termos políticos (porque a vida não se resume em política, uma pessoa pode ser "generosa" em política e muito egoísta na vida pessoal – aliás, a maioria dos "politicamente generosos" são), os negros mostraram mais racismo que os brancos. O apoio dos negros a Obama foi de 90%. Se os brancos apoiassem Romney na mesma proporção, este ganharia em todos ou quase todos os estados (considerando que os hispânicos, 68% dos quais apoiaram Obama, poderiam, junto com os negros, ganhar alguns estados para o Presidente). Vários fatores pesam, é claro, entre eles o racismo negro. A mídia muito falou do "racismo branco" que estaria prejudicando Obama, e pouco falou do racismo negro que foi decisivo para sua vitória.

Terceiro, derrotar um presidente em busca da reeleição é realmente uma tarefa muito dura e perder, nesse caso, não chega a ser prova de incompetência. Mas que os republicanos cometeram seus erros, cometeram. O maior foi tentar ganhar o centro sem ter ganho ainda os eleitores de direita. Romney poderia ter sido um presidente mais firme pró-vida. O fato de não ser considerado cristão por muitos cristãos americanos, já que é mormon, além de ter um vice católico, afastou muitos eleitores evangélicos. Além do mais, os republicanos são menos simpáticos que os democratas. Especialmente, Obama tem muito charme pessoal. Para tentar obter votos dos eleitores centristas (ou apolíticos), charme pesa mais do que as posições políticas e os democratas costumam levar grande vantagem nisso.

Quarto, a maioria da câmara de deputados (ou de representantes, se quiserem falar como os americanos) era e continua sendo republicana. O presidente Obama terá dificuldades, e precisará negociar. Pode ser bem sucedido nisso, como Clinton foi, antes dele, e como Reagan foi, com uma maioria de democratas. Isso é a democracia funcionando. Para muitos brasileiros, isso é difícil de entender: em nosso país, o povo acha que só o presidente tem legitimidade popular (1). Alguém deveria dizer ao povo brasileiro que a câmara é tão legitima quanto o presidente, e os dois são eleitos pelo povo. Bem, o fato é que nos Estados Unidos o povo sabe disso, ao menos melhor do que o nosso (2).

Quinto, Obama não fez nenhuma proposta especial para ser reeleito. Ele nada teve a oferecer ao povo exceto falar mal (demonizar) seus oponentes. Bem, isso pode ser interpretado de muitas maneiras. Eu interpreto como um fato que Obama não mudará suas políticas internas e externas, que até aqui não tem resolvido muita coisa. Eu não vejo como a economia possa melhorar nos próximos anos, a partir da política econômica de Obama, e não vejo como a situação mundial possa melhorar nos próximos anos, a partir da política externa de Obama. Bush foi um pato manco ("lame duck") no final de seu segundo mandato, Obama será um pato manco durante todo o seu segundo mandato. Obama, como eu vejo, nada pode fazer para melhorar, mas pode fazer muito para piorar. E tanto ele quanto os eleitores dele, uma grande parte da América, acreditam em fazer alguma coisa. Os próximos anos serão ruins.

Sexto, os melhores artigos sobre a reeleição de Obama são os seguintes:

Obama reincide na prática de tentar apelar à opinião pública para pressionar o Congresso; o remédio já deu errado, mas ele insiste!, de Reinaldo Azevedo.

EUA vão às urnas amanhã: os números da disputa, o triunfo da política e o humano direito à oposição. Ou: Uma lição ao Brasil. Ou ainda: A polarização é o melhor corretivo moral da vida pública, de Reinaldo Azevedo.

As eleições dos EUA, de Nivaldo Cordeiro.

A decisão de 2012 e a economia, de Jeffrey Nyquist

Coisas incríveis... acontecem, de Felipe Moura Brasil

Os vingadores, de Felipe Moura Brasil

O "impasse definitivo" da democracia representativa, da Redação do Mídia a Mais.

Um resultado óbvio, de Roberto Fendt

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(1) Por exemplo, João Goulart é considerado como um democrata e a maioria dos brasileiros acha que o golpe contra ele foi um golpe contra a democracia. Mas se João Goulart tivesse respeitado as prerrogativas do congresso em sua época e aceitado negociar para ter maioria em favor de algumas reformas, então ele poderia ter realizado parte de seu programa, e com certeza teria terminado seu mandato. Ele foi o primeiro a desrespeitar o congresso e por isso perdeu a maioria que tinha.

(2) Talvez o fato do voto não ser obrigatório ajude.


Posted at 09:01 pm by garciarothbard



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