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Sunday, November 12, 2006
Eleições e Comparações

Muita gente na direita está triste com os resultados das eleições americanas. Não acho que há razão para isso. Não muita.

Os republicanos, com Bush, têm um projeto de levar a democracia ao Oriente Médio (Eu acho que acreditar nisso é mais razoável que acreditar que essa guerra é só por causa do petróleo). Os democratas, sem nenhuma alternativa a Bush em política externa, tem vários projetos socialistas em política interna. O plano de Bush me parece mais necessário que os projetos dos democratas. Mas o partido de Bush perdeu o controle do legislativo nos EUA.

Isso pode significar que Bush passará dois anos como um impotente na casa branca. Pode significar, o que é mais provável, que os dois partidos terão que trabalhar juntos. Se por causa da oposição no congresso Bush não puder governar e acontecer mais uma tragédia como o atentado de 2001, o partido democrata será cobrado pelo público, e os democratas sabem disso. Se a oposição obrigar o governo americano a abandonar o povo do Iraque aos terroristas, e disso resultar uma crise no petróleo ou uma ditadura ferozmente antiamericana, o partido democrata será cobrado pelo público, e os democratas sabem disso. Bush, por seu lado, parece ser um homem disposto a fazer concessões a oposição em troca de apoio na questão do Iraque. Bush conviveu bem com uma maioria hostil, quando era governador do Texas. E Reagan, que nunca teve maioria na câmara americana, fez um ótimo governo. Então, o que provavelmente teremos nos próximos dois anos, será a mesma política, só que com mais cuidados. Isso, além do mais, para mim era uma tendência do governo Bush, que viria mesmo sem a derrota de agora.

Eu também acho melhor assim.

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O mais triste, e deveria ser triste para todo mundo que se interessa pelo assunto, é a comparação entre o caso americano e o caso brasileiro, no tocante ao equilíbrio e a harmonia entre os poderes executivo e legislativo.

Nos Estados Unidos, se sabe já que Bush será minoria no congresso, mas também se sabe que se Bush conseguir convencer o povo americano que um projeto é bom este será aprovado. O debate junto à opinião pública continua tão ou mais importante que manobras nos bastidores.

A mim, não é possível imaginar um esquema como o do "mensalão" para garantir maioria ao governo federal na América. Também me é quase impossível imaginar que um congresso brasileiro vote contra suas convicções (ou, mais provavelmente, falta delas) por pressão popular. Aqui no Brasil, todos sabiam que qualquer que fosse o vencedor das ultimas eleições, Lula ou Alckmin, este teria maioria na câmara. Como todo mundo sabe que muitos deputados serão subornados por Lula, e seriam por Alckmin. Como todo mundo sabe que a opinião pública seria ignorada, por qualquer um dos dois (alias, foi para isso que construíram Brasília).

Quem se interessou ou se alegrou com a vitória dos democratas e a derrota de Bush, deveria mais estar triste pelo Brasil.

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Há em Bush uma coisa que sempre me entristeceu: o seu gosto pela pena de morte, para agradar o eleitorado. Quando o Bush era governador do Texas, o estado era um dos campeões de execuções nos Estados Unidos. Isso não dependia só dele, claro: o judiciário texano era muito favorável à pena de morte, como era a opinião pública do Texas.

Eu já tinha comentado isso um pouco, aqui mesmo, se não me engano. Agora, a pena de morte voltou, e voltou com fins eleitorais: Saddam foi condenado à morte, para favorecer os republicanos. A maioria dos iraquianos também acharia muito boa a morte de Saddam. A maioria dos americanos também, pelo jeito.

Democraticamente, se matou gente no Texas. Democraticamente, se matará gente no Iraque. Quando a maioria quer matar, num regime democrático, alguém sempre morre. E não se enganem: se dependesse do povo, o Brasil também teria a pena de morte. É possível pensar em um argumento melhor contra a democracia que a pena de morte. Mas é difícil.


Posted at 05:17 pm by garciarothbard


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