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Wednesday, February 15, 2006
Reflexões sobre a "crise das charges"

Eu me dei ao trabalho de pesquisar quantos órgãos da mídia existem no mundo livre, sem censura religiosa ou política da parte do Estado (e é claro que censura só tem esse nome se partir do Estado). Nesse site eu achei mais de 600 jornais, nos Estados Unidos. Nesse outro eu achei mais de 560 jornais, excluindo os americanos. É óbvio que isso é apenas uma pequena parte do total, principalmente o segundo site, que cita apenas dez jornais brasileiros. Essa pesquisa superficial deixa de fora os jornais municipais, revistas semanais, quinzenais ou mensais, sites da internet, estações de rádio e TV, etc. Mas basta para saber que há milhares de instituições de comunicação onde há imprensa livre (com licença aos puristas da língua, já que é óbvio que não se pode considerar rádio e televisão, além dos sites, como "imprensa" - mas é essa a expressão que usam para falar da liberdade de se dizer o que quiser na internet, ou em rádios, ou televisão).

Essa introdução não está fora do assunto, a "crise das charges", como está sendo chamado o conjunto de acontecimentos que vieram na esteira da publicação em um jornal dinamarquês de algumas charges de gosto duvidoso e humor idem a respeito de Maomé, fundador da religião muçulmana. Os intelectuais brasileiros, a maioria, estão dizendo que a liberdade de expressão não pode admitir a liberdade de blasfemar contra a religião alheia. Além da hipocrisia desse tipo de opinião(blasfêmias contra o cristianismo são tão comuns que muitas pessoas nem percebem mais) é um absurdo imaginar que se pode ter liberdade de opinião e de publicação que exclui o mal-gosto ou provocações grosseiras. Leiam de novo o que escrevi acima: há milhares de meios de comunicação nos EUA, no mundo todo, livre de censura, deve haver centenas de milhares, até milhões. Se há liberdade de opinião e de imprensa, como impedir que um jornal (ou um site, uma rádio, uma estação de TV, etc.) entre os milhares (milhões!) que existem difame alguma religião ou qualquer grupo organizado, ou se vulgarize? Se quisermos liberdade de opinião, temos que estar preparados para a provocação ou a vulgaridade. Os protestos contra as charges mostram duas coisas: muitos muçulmanos não estão preparados para a liberdade de opinião e publicação, e muitos ocidentais não estão preparados para defender a liberdade de opinião e publicação.

Agora, qualquer pessoa séria tem que admitir que as manifestações (melhor seria dizer "surtos de histeria coletiva") que atingiram tantos países muçulmanos não foram espontâneas, mas sim organizadas e orquestradas pela Síria e pelo Irã "ao estilo soviético", como diz Frederico Jimenez Losantos, confirmado por Victor Grimbaum. Há uma comédia sinistra no Oriente Médio (na verdade, no mundo inteiro, mas a partir do Oriente Médio), e a "crise das charges", crise totalmente artificial, é mais um ato na comédia. São atores o totalitarismo islâmico, a União Européia, os Estados Unidos e Israel.

O totalitarismo islâmico são os terroristas que matam iraquianos no Iraque, e muçulmanos, judeus e cristão onde quer que tenham chance (matarão brasileiros com certeza, só precisa uma coisa: interessar). São também os governos que os apóiam e as pobres massas que esses mesmos governos exploram. Iludidas por propaganda em lugar de educação, os pobres diabos acabam fornecendo recrutas e mártires para vários tipos de grupos terroristas, e trabalhando para seus inimigos. Mas também faz parte do totalitarismo islâmico uma claque de intelectuais "esclarecidos", que supostamente saberiam o que é melhor para o mundo. Não tenho dúvida que tais intelectuais sabem o que é bom para eles. Por tais intelectuais os muçulmanos acreditam ser melhor exigir censura religiosa no ocidente do que lutar pela liberdade de expressão em seus próprios países. Por tais intelectuais os políticos e burocratas da Europa são tímidos e até mesmo covardes para defender a liberdade de seus próprios países em face de uma clara intromissão estrangeira - porque estes intelectuais são muito respeitados no ocidente. Muitos deles são ocidentais, e todos estão cheios do que passa (na Europa, pelo menos) por cultura ocidental.

A União Européia, a velha Europa, e principalmente a França e a Alemanha, seus países mais importantes, estão eles todos com medo do totalitarismo islâmico. O que já era evidente com os motins em Paris, ano passado. Novamente, no caso das charges. Não se trata apenas do enfraquecimento econômico da Europa, mas também cultural - no caso, é um exemplo do feitiço que se volta contra o feiticeiro: A ideologia do moderno totalitarismo islâmico é uma combinação do islã tradicional com ideologias européias decadentes. É algo semelhante à teologia da libertação, versão islâmica. Todos os intelectuais esclarecidos que formularam e divulgam a ideologia do totalitarismo islâmico tiveram formação européia e uma parte não desprezível deles é de europeus. É mesmo fascinante como o que paralisa e amedronta a Europa é praticamente o mesmo que encoraja e movimenta o totalitarismo islâmico.

Por fim, os EUA e Israel. São os únicos países no mundo que resistem a sério contra o totalitarismo islâmico, por um motivo simples: sobrevivência. É óbvio que a vitória do totalitarismo islâmico no oriente médio será o fim de Israel enquanto nação. Quanto aos EUA, foram agredidos violentamente no dia 11 de setembro de 2001. E os muçulmanos não se contentarão com nada menos que o domínio do mundo. Israel está no caminho dos muçulmanos, mas depois sem dúvida cairá a Europa e o Ocidente. O atentado do dia 11 de setembro de 2001 mostrou que os EUA não podem permitir que um governo lhes seja hostil. É uma questão de sobrevivência, simplesmente.

Tudo somado, a crise artificial das charges teve como objetivo mobilizar os muçulmanos e intimidar o ocidente. E, bem, conseguiram. É óbvio que com o ocidente intimidado e os fundamentalistas muçulmanos mobilizados, não se pode esperar mais por "paz nos nossos dias". Os Estados Unidos e Israel são praticamente os únicos países que não podem ceder ao totalitarismo islâmico, porque isso significaria a destruição de Israel e mais ataques contra alvos civis dentro dos EUA. A longo prazo, isso também significaria o domínio islâmico na Europa, e o fim da civilização ocidental.

Os brasileiros fazem parte da civilização ocidental, e muito prezam os valores da civilização ocidental, como a separação entre a Igreja e o Estado, a democracia capitalista e a liberdade de opinião e de imprensa. Mas se os brasileiros gostam desses valores, os intelectuais brasileiros parecem não gostar muito deles, influenciados pelas ideologias européias e frustrados com nosso fraco desempenho em praticamente todos os campos relevantes, em comparação ao sucesso americano. É por influencia dessa intelectualidade europeizada que não estamos firmes com os americanos e israelenses em sua luta pela civilização ocidental. Nesse caso das charges, essa mesma intelectualidade hesitou em ficar contra as ameaças à liberdade de expressão pelo totalitarismo muçulmano. Muitos repetiram, como se tivessem assistido a uma grande aula coletiva de doutrinação ao mesmo tempo (o que não está longe da verdade): "A liberdade de opinião e publicação é necessária, mas deve vir acompanhada pelo respeito à religião alheia. Portanto, os dois lados erraram, tanto os que publicaram as charges quanto os que protestaram violentamente". Bem, isso é desconversa, enrolação, ou pior, é fingir estar em cima do muro da neutralidade enquanto ajuda um lado e prejudica outro (especialidade dos intelectuais brasileiros).Primeiro porque é materialmente impossível exigir respeito à religião alheia onde há liberdade de imprensa no mundo moderno, já demonstrei porque (nem entro em considerações filosóficas sobre o liberalismo). Segundo, porque as ofensas em si, se existiram (para mim não), não provocaram nenhum protesto (estes tomaram as charges como pretexto mas o verdadeiro motivo foi outro, como também já demonstrei). Ao reduzir a questão apenas à publicação das charges e a violência dos protestos, sem se aprofundar em nenhuma direção, e afetar (e este o termo) indignação contra os dois lados por igual, a intelectualidade brasileira na verdade está contribuindo para minar o desejo (que já não é muito) dos brasileiros em defender a civilização ocidental. Se pudessem, os intelectuais brasileiros convocariam todo o povo para uma "jihad" antiamericana. Não podem, então tentam impedir que as pessoas tenham alguma simpatia pelos americanos e israelenses, que são talvez os únicos que merecem simpatia nessa história toda.


Posted at 03:54 pm by garciarothbard


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